Pequena discussão no site Charges.com.br:
( Depressivo Crônico - Londrina - PR ):
"Eu não aguento mais viver. Todo mundo me odeia, não vou poder ir ao show da Avril Lavigne, descobri que uma pessoa que gosto muito tá com outro, meus amigos falam de mim pelas costas e o SBT tirou friends do ar. Agora só me resta uma alternativa: me matar."
Comentário do autor do site Maurício Ricardo:
"Depressão é uma doença, e como tal deve ser tratada. Existem medicamentos de última geração, com efeitos colaterais discretíssimos, que podem ajudá-lo a superar esta fase. Posso afirmar sem sombra de dúvidas que seus problemas não são tão graves. Você está superdimensionando as coisas! Como eu sei? Simples: uma pessoa pode sofrer por sentir-se odiada, por uma desilusão amorosa, por perder um bom show... mas querer assistir "Friends" em versão dublada?"
( Laiz Elizabeth - Rio de Janeiro - RJ )
"Como assim??? Não é legal ver "Friends" em versão dublada (e-mail comentado ontem)???? olha, os dubladores tem um p(*) trabalho, são ótimos atores, mandam muito bem. Vc não deveria subestimar desta forma a dublagem brasileira pq vc também dubla seus personagens... e, convenhamos, vc não tem nem a sombra do talento q os dubladores do Brasil têm. A dublagem daki é considerada a melhor do mundo!"
Comentário do Maurício Ricardo:
Não disse que a dublagem era boa ou ruim: disse que Friends dublado é horrível. Em português, mandarim, italiano ou japonês. Se já é difícil substituir a voz original de um ator de forma convincente, quanto mais numa "sitcom", cheia de piadas que só funcionam no idioma original.
Comentário Meu:
Postado por eduVisitantecondes em 13/09/2005 03:41:34
"Puta saco... o sujeito não pode nem dizer uma verdade (que comédia dublada é um saco) que já vem logo uma pessoa com interesses corporativos defender a classe artística... e pensar que na França a coisa é ainda pior que aqui no Brasil lá até os filmes do cinema SÃO DUBLADOS PARA O FRANCÊS... lá ninguém conhece o jeito de falar do Al Pacino ou o sotaque engraçado que o Leonardo Di Caprio faz em O Aviador Concordo com o Maurício filme dublado é um saco, as comédias então mais ainda, porque perdem-se inúmeras piadas... e os dubladores, brilhantes artistas segundo a defensora, simplesmente NÃO CONSEGUEM ACERTAR O TIMING DAS PIADAS EM PORTUGUÊS... fica sem graça... ficam sem ritmo...mas isso não quer dizer que queremos que eles percam o emprego... só que quando alugamos um DVD na locadora, escolhemos logo a versão original... e nunca a dublada.
(aliás, graças ao DVD, os dubladores estão com trabalho garantido pelo resto da vida)"
( Marcus - Rio de Janeiro - RJ ):
"Eu realmente fiquei decepcionado com a resposta do responsável do site sobre a dublagem brasileira (se referindo a Friends). Foi o próprio animador que falou isso? Justo ele que dubla os próprios desenhos dele (fazendo todas as vozes) e fala isso?? Então eu posso dizer que ele faz a mesma voz pra TODOS os personagens, passando aquele filtro quando é mulher ou criança, que a dublagem dele é limitada e cansativa. Dizer que TODAS as piadas se perdem na dublagem de sitcom é no mínimo preconceituoso da parte dele, que parece ser uma pessoa aberta, culta e com um mínimo de bom senso. Pelo menos foi isso que pareceu. Vários dubladores que eu conheço souberam disso que ele comentou, se espalhou essa notícia, muitos viram o que ele escreveu e lamentaram esse preconceito vindo de uma pessoa tão querida. Muito triste isso. Podíamos passar sem essa, francamente."
Comentário do Maurício Ricardo:
"O engraçado é que não fiz nenhuma das generalizações a que o Marcus se refere. Não falei sobre "a dublagem brasileira", falei sobre uma: Friends. Disse que, pessoalmente, prefiro sitcons ("comédias de situação") no idioma original, porque este gênero é cheio de piadas que só funcionam assim, não disse que "TODAS as piadas se perdem". Esclarecendo, Marcus: eu é que fiquei decepcionado com essa leitura do meu comentário, porque acho a dublagem brasileira excelente. Até prefiro versões dubladas de filmes de ação e desenhos animados, pra poder viajar no visual sem me preocupar com legendas. Mas não serei hipócrita a ponto de dizer que prefiro sitcon em português só pra não ofender a classe. Com meu inglezinho "mororless" capto um monte de piada que passa batida na dublagem. O que aliás, não é nem culpa do dublador, mas do tradutor. Ah, e também prefiro ver e ouvir grandes atores estrangeiros interpretando com sua voz original. Espero que ninguém se ofenda por causa disso."
Comentário meu:
Postado por eduVisitantecondes em 14/09/2005 01:26:01
"Tá bom... se o Maurício não disse, digo eu - realmente não é verdade que TODAS as piadas se perdem na versão dublada das sitcons, apenas 80% delas se perdem... e os 20% restantes são interpretadas sem graça nenhuma!!! Alguém citou o Will and Grace e acertou ao contrário do que acontece na versão original, deram aos personagens gays uma voz afetada que não existe no original... Sobre filmes... Ora, só quem não ouve o som no original não sabe a delícia que é ouvir o sotaque esquisito do Arnold Schwazzeneger, a voz deboxada do Bruce Willis, a batata na boca do Al Pacino, o sotaque italianado do Marlon Brando em Poderoso Chefão, o sotaque acaipirado do Leonardo Di Caprio em O Aviador e por aí vai... A voz e a inflexão fazem parte da obra original de um filme e ajudam a avaliar o bom desempenho dos melhores atores... tudo isso se perde em português... Ora, quem acha que a profissão de dublador deveria ser respeitada não pode deixar de respeitar a opinião de quem simplesmente ODEIA filme dublado (como é o meu caso). Sei que tem até comuinidades sobre isso no Orkut... por favor, respeitem a pluralidade de opiniões... ninguém aqui está defendendo a extinção do trabalho de dublagem... que é muito importante para as pessoas que não podem acompanhar os filmes no original. O que dizemos é que NÓS não gostamos. Enquanto houver a opção DUBLADOORIGINAL nos DVDs, eu continuo escolhendo ORIGINAL... mas também acho importante que sempre exista a opção DUBLADO pra quem assim preferir! (((EM TEMPO E EU CONTINUO ACHANDO O TRABALHO DO MAURÍCIO FANTÁSTICO E SUPER CRIATIVO. MESMO COM AS LIMITAÇÕES QUE ELE TEM EM TERMOS DE DUBLAGEM, SEMPRE TEM CHARGES CRIATIVAS, INTELIGENTES E ENGRAÇADAS PARA APRESENTAR... O TRABALHO DELE É NOTA 10 !!!)"
Escrito por Jemm às 03h14
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Pequena discussão no site Comunique-se:
José Eduardo Machado Marcondes [13/09/2005 - 01:50] (Editor-BandNews - SP)
Neste fim de semana algumas das principais revistas semanais do país cometeram um deslize comaparável ao cometido pela imprensa no caso "Escola Base", na minha opinião. Enquanto a "Revista Veja" deu uma equilibrada "luta para cassar Severino", sem grandes destaques, a "Revista Época" estampou na capa: "Fim da Linha - Apanhado em um trambique barato, Severino Cavalcanti não tem mais condições de presidir a Câmara. Deputados já discutem sua sucessão" enquanto a "Revista Istoé" noticiou: "Bye Bye Severino - Dono de restaurante recusa dinheiro de aliados de Severino, conta a história da propina e acaba com as esperanças do presidente da Câmara". Está claro que estas duas revistas deram como certa a derrocada do presidente da Câmara fiando-se na opinião dos parlamentares que, aproveitando-se da ausência do parlamentar, concluíram que Severino Cavalcanti "não teria escolha à não ser deixar o cargo" como forma justamente de pressioná-lo... Pois com a volta do político ao Brasil, o que se verificou não foi um parlamentar disposto à renúncia por estar acuado por denúncias incontestáveis - ao contrário, Severino desqualificou as provas contra si e anunciou que não deixa o cargo... O que se verá à seguir é uma queda de braço entre os que desejam a saída de Severino do cargo e o Presidente da Câmara, disposto a tudo para não abandonar o poder. E esta briga pode se estender por semanas com Severino ainda no cargo! Por isso, os leitores das revistas que davam como certa a saída dele têm todo o direito de se sentirem enganados pelos informativos que julgaram, condenaram e anunciaram o fim de Severino antes da hora, quase como se estivessem comemorando o fato. Creio que a imprensa tinha a obrigação de ser mais cautelosa na forma como noticia os fatos.
Nelson Franco Jobim [13/09/2005 - 16:22] (Colunista / Comentarista / Crítico-Baguete Diário - RS)
Tanto o governo quanto a oposição são responsáveis pela eleição de Severino. No primeiro turno, o PSDB votou em Greenhalgh, então atribuir tudo a uma conspiração fernandista é demais. Genoino pediu votos para Severino no primeiro turno, temendo enfrentar Virgílio no segundo. As revistas anunciaram seu fim porque acreditam que ele não resistirá às denúncias de cobrança de propina. Já acusar o capitalismo de manipular a democracia na Grécia Antiga é um pouco demais. Este sistema econômico surge com a expansão colonial européia a partir do século 15 2 mil anos depois. Outro comentário desenterra Nixon como quem diz que a corrupção nos EUA é maior. Não é. Equivale à tese do Sou mas quem não é, levantada pelo presidente Lula na inacreditável entrevista em Paris. Faltam seriedade e racionalidade ao debate político no Brasil.
José Eduardo Machado Marcondes [14/09/2005 - 01:56] (Editor-BandNews - SP)
Nelson, continuo achando um pecado a imprensa acreditar que o Severino não resistirá às denúncias de cobrança de propina - por mais que existam fortes ânimos para derrubá-lo, o que se percebe nesta semana é que vai ser mais difícil do que parecia à princípio, e a notícia de que Severino "já era" não é verdadeira - ele está vivo, moribundo é verdade, mas vivo, embora incomodando mais do que se fosse um cadáver em putrefação. Os analistas que fizeram artigos depois da coletiva de domingo já não estavam tão certos assim do ocaso de Severino à frente da Câmara...
Claudia Cardoso [13/09/2005 - 15:17] ( Outros-Prefeitura Municipal de Porto Alegre - RS)
Fico impressionada com as análises do caso Severino: o nome do Fernando Henrique Cardoso nunca é citado como mentor e articulador desse escalabro que foi a eleição do Severino Cavalcanti para a presidência da Câmara. Fala-se da cor do céu em tempestade e da água negra da política e o FHC sai ileso de uma situação da qual ele foi sim o responsável. Ninguém cita o seu nome nessa porcaria, para não poder dizer o que realmente penso, que foi a eleição da Presidência da Câmara. Acho isso extremamente lamentável. Deposita-se na conta do PT esse descalabro e as pessoas entram nessa.
José Eduardo Machado Marcondes [14/09/2005 - 00:29] (Editor-BandNews - SP)
Claudia Carsoso adota um expediente que os petistas vêm utilizando em larga escala ultimamente: justificar um erro com outro... não posso afirmar que o FHC tenha sido o "mentor e articulador" da eleição do Severino porque nunca li nenhuma declaração do próprio ou de seus aliados admitindo isto abertamente... tudo o que sei é que a imprensa diz que nos bastidores da câmara atribui-se a vitória de Severino a uma manobra da oposição./ MAS UMA COISA É CERTA: O PT NÃO PODE SE EXIMIR DE SUA PARCELA DE CULPA, porque o partido não conseguiu sequer manter um acordo com um candidato único... fechou-se aos que não aceitavam Greenhalg e tentou enfiá-lo goela abaixo dos que não o aceitavam, e ainda lançou Virgílio Guimarães... com isso os votos que poderia ter numa candidatura única se dispersaram... deu no que deu! Essa é a conta que diz respeito ao PT!!!
José Eduardo Machado Marcondes [14/09/2005 - 01:51] (Editor-BandNews - SP)
(ps.: ainda que a orientação do Partido dos Trabalhadores tenha sido pelo voto em Greenhalg e que a cúpula tenha desautorizado a candidatura de Vrigílio Guimarães, não dá pra negar que houve falta de articulação política e sensibilidade para perceber que Greenhalg não era a melhor alternativa porque não era um candidato de consenso - e isso FOI UM ERRO ESTRATÉGICO DO PRÓPRIO PT)
Escrito por Jemm às 03h03
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tudo por
dinheiro
Grávida vende espaço publicitário na barriga por R$
470
da BBC, em Londres
A grávida neozelandesa Julz Thomson vendeu na internet o
direito de uso de sua barriga como espaço publicitário por cerca de R$ 470 em um
leilão na internet.
O lance vencedor foi feito por um empresário de Auckland cuja companhia tem
como slogan "The mailman always delivers" (O carteiro sempre
entrega).
Thomson vai vestir uma camiseta com essa frase todos os dias
até dar à luz.
Escrito por Jemm às 12h44
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Pênis não cresce, e homem processa empresa
Uol Há momentos em que um homem tem que tomar uma atitude. E o assunto aqui é sério, e não meros contratempos como o fato de a conta demorar, o mecânico cobrar R$ 500 por trocar a rebimboca da parafuseta ou a TV a cabo cancelar a sua assinatura no exato instante em que começa o Fla-Flu (ou Corinthians x Palmeiras, para os paulistas). Um homem processou nesta semana uma empresa fabricante de um remédio para crescer o pênis porque a suposta pílula não deu os resultados prometidos. (Em respeito ao querelante, o Editor do UOL Tablóide não irá revelar o seu nome. Doravante, ele será conhecido como... Senhor Guimba.) Pois o Senhor Guimba declarou a um tribunal de Nova Jersey (Estados Unidos) que pagou quase US$ 60 dólares pelo tal comprimido, e mesmo assim o seu falo não cresceu os tais 6 centímetros prometidos. Aliás, não cresceu centímetro algum. "A propaganda era muito, muito convincente e se respaldava com declarações de médicos e estrelas da pornografia que testemunhavam seus resultados", disse o Senhor Guimba. O Editor do UOL Tablóide adverte: cuidado ao comprar produtos que prometem curas milagrosas. Há coisas que só na próxima encarnação.
Escrito por Jemm às 12h42
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Pra Deus ouvir
Não sei o que aconteceu com minha alma enquanto eu dormia essa madrugada, só sei que acordei com uma música linda na cabeça. Corri para o meu "Chico Buarque Duets" e toquei logo a faixa 8, que ele canta com Nana Caymmi. Recomendo a qualquer mortal, já que a música obviamente foi feita pra Deus ouvir:
Até pensei Chico Buarque/1968
Junto à minha rua havia um bosque Que um muro alto proibia Lá todo balão caía Toda maçã nascia E o dono do bosque nem via Do lado de lá tanta aventura E eu a espreitar na noite escura A dedilhar essa modinha A felicidade Morava tão vizinha Que, de tolo Até pensei que fosse minha
Junto a mim morava minha amada Com olhos claros como o dia Lá o meu olhar vivia De sonho e fantasia E a dona dos olhos nem via Do lado de lá tanta ventura E eu a esperar pela ternura Que a enganar nunca me vinha Eu andava pobre Tão pobre de carinho Que, de tolo Até pensei que fosses minha
Toda a dor da vida Me ensinou essa modinha Que, de tolo Até pensei que fosse minha
Escrito por Jemm às 10h00
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"Causos" do jornalismo
Resolvi reunir as histórias célebres contadas nas redações...
Uma vez, numa certa rádio, o locutor foi creditar a música que tinha acabado
de tocar, "o vôo do besouro". Mas ele se atrapalhou todo e não conseguiu de
jeito nenhum: "vocês acabaram de ouvir o vôo do bezerro... não, quer dizer, o
vôo do bezorro, ou melhor..."
Causos como este existem aos montes no meio jornalístico - você conhece
algum? Conte sua história na comunidade "causos" do jornalismo!!! Participe
! Se tiver Orkut, é só clicar aqui.
Escrito por Jemm às 20h59
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Jornalistas com blogs pessoais podem ser demitidos
O jornalista Mario Lima Cavalcanti escreve no site Comunique-se artigo sobre um tema que vem sendo comentado na imprensa internacional: os casos de jornalistas que são demitidos por manterem blogs pessoais. O assunto suscitou um debate sobre os limites sobre o que um profissional pode escrever à respeito da empresa na qual trabalha. No meu entender, divulgar problemas do ambiente de trabalho é anti-ético. Mas alguns colegas no site têm opinião contrária. É impressionante ver como ética é um conceito abstrato demais para algumas pessoas. Como diria um amigo meu, ética é bom senso - para quem o tem. Recomendo a leitura do artigo, e alguns dos comentários reproduzo abaixo:
José Eduardo Machado Marcondes [18/11/2004 - 20:39] (Profissional Contratado)
Parece-me evidente que nenhum profissional realmente sério há de querer expor suas mazelas de dia-a-dia no trabalho na forma de um blog. O limite ético é uma decisão de foro íntimo e pessoal, e acho horrível uma pessoa sair por aí difamando o lugar onde trabalha. Sem querer tolher a liberdade de expressão de ninguém, teoricamente problemas relacionados ao ambiente de trabalho não deveriam constar sequer da pauta de conversas entre amigos. Penso que cada um, dentro de si, conhece os limites. Entretanto uma empresa que se propõe a demitir funcionários porque mantêm blogs devem deixar isso claro. Se é norma da empresa, é preciso que todos saibam de forma clara se é permitido ou não. Assim como todos hoje em dia sabem que não podem visitar sites de pornografia ou comunidades virtuais (como o Orkut) dentro do ambiente de trabalho. Demitir sumariamente sem ter exposto claramente a política da empresa me parece uma decisão muito drástica.
Ricardo Aguieiras [19/11/2004 - 07:55]
Não sou hornalista, sou um leitor. E como leitor me interessa apenas a informação verdadeira. Não acho anti-ético um jornalista postar em um blog as verdades que ocorrem no seu cotidiano, mesmo que tais verdades comprometessem a empresa em que atua. Acho sim, extremamente anti-ético uma empresa jornalistica preocupar-se em punir jornalistas de seu quadro que mantenham um blog onde colocam os seus desabafos e onde protestam contra as injustiças da profissão e dos patrões. Anti-ético é a negação da informação. Antes de ter um compromisso com a empresa em que trabalha, o jornalista tem compromisso com o leitor. E ele tem TODO o direito de falar o que quiser no blog dele. Pensem, por favor, também com a cabeça do leitor. Obrigado!
Ricardo Aguieiras [19/11/2004 - 08:10]
Só mais uma coisa: a idéia original de um blog é justamente essa: um diário virtual. Portanto cabe nele desabafos, protestos, exposição de angústias, etc. Isso não tem nada a ver com ética. Devemos combater a censura, mesmo a sutil e disfarçada censura que impera nos nossos dias sob infinitos argumentos, como o tal "Ética"... Uma empresa séria, que respeita seus jornalistas e funcionários, não pode temer um blog. Acho bem mais grave e sem ética uma empresa jornalistica defender em seus editoriais os maiores avanços sociais e trabalhistas, mas internamente não ter o menor respeito pelos seus funcionários. Trabalhei durante anos, não como jornalista, mas como publicitário, num veículo que tinha como mote "não ter o rabo preso com ninguém e nada", mas os linitipistas e todos os que trabalhavam com as tintas da prensa não tinham um único chuveiro quente para tomarem banho no final do dia. A diretoria e presidência comiam num restaurante à parte, toalhas de linho e porcelanas...
José Eduardo Machado Marcondes [19/11/2004 - 18:40] (Profissional Contratado)
Caro Ricardo Agueiras, Creio que temos um ponto de radical discordância com relação ao limite ético da profissão. Acho que a principal pergunta que todo jornalista deve se fazer todos os dias é "será que isso é de interesse público?". Talvez por não exercer o jornalismo você não esteja acostumado a se questionar sobre até onde vai o direito que nós, jornalistas, temos, de divulgar certos assuntos. Acho que bons textos para um blog devem seguir os mesmos princípios seguidos por nós - entre eles, aceitar que existem limites para o que podemos expor. Não acho que intrigas que ocorrem nas redações e visões unilaterais de uma pessoa insatisfeita com o ambiente de trabalho sejam "informação", nem muito menos "a verdade". Além do mais, o autor precisa se lembrar que corre o risco incusive se ser processado por calúnia ou difamação se for muito longe em suas críticas. Sem falar de passar pelo ridículo papel de profissional inconformado e problemático.
Ricardo Aguieiras [19/11/2004 - 20:52]
Continuo achando que o compromisso de um jornalista é, antes de tudo, com o leitor. E continuo achando que blog é algo pessoal e uma pessoa, jornalista ou não, tem todo o direito de escrever o que quiser no blog DELE. Quem discorda de um post, pode usar o sistema de comentários que a maioria dos blogs tem. Se um jornalista, em nome de uma suposta "ética" não puder falar nunca o que sente, nem ao mesmo no seu blog, onde vai poder? A luta de um jornalista é a luta pela liberdade e não por prisões em nome de uma ética que cerceia. E Viva Ricardo Samler, Viva Carlos Heitor Cony, Viva Nelson Rodrigues, Viva Contardo Calligaris! Ainda bem que tem um leitor aqui, e não somente jornalistas... serve como contraponto.
José Eduardo Machado Marcondes [19/11/2004 - 22:59] (Profissional Contratado)
Esse é o principal problema da maioria das escorregadelas que vemos no jornalismo. A ética não é uma utopia, mas uma realidade concreta, posto que existe justamente por motivos reais. Acho que não se deve criticar a empresa aonde se trabalha assim como não se deve dizer a uma senhora que ela está mais gorda. Só uma criança seria inocente a esse ponto "em nome da verdade". Expor problemas do ambiente de trabalho é um risco assumido pelo autor - se criticar um chefe ou colega, está assumindo publicamente uma posição que pode ser contestada. Afinal, se a pessoa não consegue fazer valer seu ponto perante os colegas, como outros participantes vêm sugerindo, parece uma atitude covarde sair se lamentando. Do que ela tem medo, de ser contestada? Eu também sou contra a censura, mas liberdade de expressão não pode ser confundida com libertinagem. Sob risco justamente de perdermos esse direito. Afinal, quem confiaria a caneta a um jornalista irresponsável?
Escrito por Jemm às 07h54
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Memórias de um repórter 5
Massa de manobra
Um truque infâme dos políticos eu pude ver bem de perto. Um grupo com quase uma centena de famílias invadiu uma área abandonada em uma cidade da região, e dependia de liberação da justiça para tomar posse definitiva do terreno. Da noite para o dia, as famílias chegaram, montaram seus barracões e caracterizaram uma situação pela qual a polícia não tem como fazer um despejo e reintegração de posse sem ordem judicial. Era gente muito pobre, que morava dispersa, e de repente apareceu ali... Quem eram aquelas pessoas? Como se reuniram? Onde estavam antes? E pior: os líderes do movimento conheciam bem a legislação, sabiam direitinho o que podiam ou não fazer na ponta da língua, e se recusavam a sair com o pedido do delegado local, sabendo que com a construção de casas a toque de caixa a questão ia mesmo para os tribunais. Perguntei a uma mulher que falava com conhecimento profundo sobre a questão: como estava tão bem orientada? Outro cortou a entrevista abruptamente: "aqui ninguém vai falar isso!!!" Desnecessário dizer que era período pré-eleitoral. Alguém orientou aquelas pessoas a ficarem ali, em troca de voto e certamente a promessa de usar a máquina da prefeitura depois para regularizar definitivamente a situação. Truque escondido em uma cidadezinha da grande São Paulo? Nada disso...
Finalmente fizeram total sentido para mim os relatos de minha "enviada especial ao Jardim Ângela", a pessoa para quem sempre pergunto como vai a situação no bairro em que ela vive. Pois um expediente semelhante ao descrito acima foi usado com sucesso no período de campanha da ex-prefeita de São Paulo. Minha "informante" me falava de um grupo de famílias que finalmente teriam onde morar. Dizia-se que alguém havia prometido que "a Dona Marta iria dar um jeito se eleita". E ela foi. Mas depois parece que o próprio grupo ficou insatisfeito com a administração da prefeita que não se reelegeu.
"Há mais "coisas entre o céu, a terra, e os votos numa eleição do que sonha nossa vã filosofia."
Escrito por Jemm às 22h59
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Memórias de um repórter 4
CDHU de cima e CDHU de baixo
Por mais que eu já tenha visitado favelas e entrevistado pessoas que passam necessidade de verdade, a verdadeira pobreza eu conheci de perto mesmo na minha incursão pelas afiliadas da Rede Globo no inteiror. Na região de Itapetininga, vi pessoas morando no barro em casas de madeira. Aliás, uma das reportagens por lá foi justamente sobre uma jogada política de enternecer até mesmo o mais frio dos corações.
Os três porquinhos - Para resolver um problema de moradores que viviam em áreas de manancial invadidas, onde é proibido, uma das prefeituras ofereceu a solução perfeita: casas de madeira totalmente gratuitas. Segundo os próprios moradores, pra quem vivia em barracos improvisados, parecia um paraíso: eram casinhas simples, com um quarto, sala e banheiro. Mas foram feitas com madeira vagabunda, material barato, e não agüentaram muito tempo. Depois que o candidato que intermediou as negociações já tinha sido eleito, mandava e desmandava naquela cidade, as casas começaram a se deteriorar.
As tábuas empenavam e deixavam largas frestas por onde era possível devassar a intimidade daquelas famílias, se é que existia alguma, naquelas condições... as paredes foram escoradas com toras de madeira porque ameaçavam cair a qualquer momento com gente dentro. Não havia remendo com tábua de compensado possível porque a madeira das casas, de tão apodrecida já não segurava mais os pregos. As colunas de sustentação dos tetos já apresentava rachadura e tudo poderia cair. Viviam na mais terrível das condições em casas que pareciam feitas para um dos tres porquinhos, prestes a seren derrubadas - não pelo sopro de nenhum lobo, mas sim pela próxima chuva.
Na região de Mogi das Cruzes não foram poucas as vezes em que fomos chamados para mostrar problemas de esgoto subindo pela rua e invadindo as casas. Famílias inteiras num estado de necessidade e pobreza absoluta com os pés na água fétida pediam a nossa ajuda e cobravam satisfações das autoridades. Em pelo menos um dos casos fiquei sabendo que as ligações dos moradores eram clandestinas, porque não existia uma rede de esgoto na rua. Os moradores valeram-se de um cano que passava pela rua onde acreditavam que podiam ligar suas caixas coletoras. Mas era um duto de manutenção de uma caixa d´água e, quando certa madrugada o sistema foi usado para escoar água, choveu esgoto (ou merda) pra tudo quanto era lado.
Outra vez fomos chamados para ver uma casa que foi construída no alto de um morro, numa região que tinha sido invadida. Uma pessoa que dizia ter contatos com políticos locais prometeu regularizar. Se estou bem lembrado, o morador já tinha tudo praticamente acertado com habite-se e, como de costume, já pagava IPTU - mas estava abandonado à própria sorte. A rocha do morro onde estavam as casas apresentava forte erosão, e uma fenda aberta na pedra avançava em direção à casa do nosso entrevistado. Boa parte da casa apresentava rachaduras e um dos quartos já tinha desabado por causa do problema. Em breve tudo iria desmoronar. Quando eu quis fazer imagens da família reunida para mostrar quantas pessoas estavam sem ter onde morar, a filha do casal se recusou a aparecer nas imagens. Não demorei muito para desocbrir porquê: ela tinha vergonha de morar ali e dizia aos amigos e ao namorado que morava em outro endereço.
E foi lá, no Alto Tietê, que eu descobri que existem dois tipos de pobres: aqueles que lutam por uma vida melhor e os que já se entregaram, esperando que alguém faça alguma coisa para ajudar, porque eles mesmos sozinhos já não conseguem mais fazer nada por si mesmos. Os que lutam são trabalhadores que juntam algum dinheirinho, têm um carro velho numa garagem improvisada com tábuas de madeira em um terrendo ao lado do prédio da CDHU. São os moradores "de cima". Na parte baixa, junto ao córrego mal cheiroso que recebe o esgoto do bairro, moram os "do CDHU de baixo". São pessoas que não trabalham, a grande maioria diz que está "enconstada pelo INSS" ou vive de pequenos bicos. São os moradores que mais reclamam quando chega a reportagem. Quando nos vêem de terno, acende neles a esperança messiânica de que enfim chegou alguém que tem a obrigação de fazer alguma coisa. E eles cobram... gritam com o repórter... exigem... perguntam: "não vão fazer nada???"
No dia em que conheci essa turma, o estado de nervos era tal que percebi algo impressionante: a revolta era tanta, e o rancor com relação às promessas políticas era tal, que bastaria eu levantar os braços gritando "vamos invadir a prefeitura para cobrar uma solução" que tenho certeza: todos participariam. Talvez seja assim que os movimentos organizados de "Sem-terra" e "Sem-teto" conseguem arrebanhar a massa, que na verdade é usada para fins mais políticos que sociais.
Pessoas ligadas à administração da prefeitura revelaram como é o jogo dos políticos para desviar o problema. Um secretário me disse que o governo do Estado inaugura um conjunto habitacional para inúmeras famílias e não comunica oficialmente a prefeitura nem faz parecrias. Resultado: constrói a enorme estrutura para moradia mas sem serviços básicos que ficam à cargo do poder municipal, como saneamento, iluminação pública, transporte e outros... O resultado é que a população sai perdendo, porque fica sem mesmo. Que país o nosso!
Escrito por Jemm às 22h47
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Memórias de um repórter 3
ou como fazer a diferença
Trabalhar no Jornal so SBT sem dúvida fez a diferença em minha vida. Foi na emissora da Anhangüera que dei meus primeiros passos na reportagem de TV, tendo inclusive participado da cobertura do Rally dos Sertões, a viagem mais incrível de minha vida. Em breve escrevo mais sobre isso. O importante é que éramos uma equipe pequena com a missão de colocar um jornal de rede no ar. O peso desta responsabilidade criou uma redação unida, onde foi possível fazer boas amizades. E o principal: descobri que para fazer bom jornalismo sem grandes recursos é preciso devoção à profissão e criatividade.
Como produtor de reportagem, minha função era prestar apoio à chefia de reportagem na busca por notícias. Mas eu também me especializei em encontrar pessoas para entrevistas por telefone... certa vez o repórter Lúcius de Melo fazia uma reportagem para repercutir o escândalo dos padres da igreja católica ligados à pedofilia. Ele ligou da rua e pediu para tentarmos localizar uma teóloga alemã chamada Uta Hanke-Heinemann. Ela é autora de um livro chamado "Eunucos à serviço de Deus" no qual desenvolve uma teoria explicando que muitos padres se tornam pederastas porque na verdade confundem a vocação de servir a Deus e fazer o voto de castidade com a falta de desejo sexual por mulheres - estariam na verdade ocultando de si mesmos uma inclinação homossexual que sobressai mais tarde. Imediatamente, procurei na internet e acabei encontrando endereços de contato com a editora dela... o resultado: quando o repórter chegou da rua eu já tinha gravado uma entrevista com a autora por telefone, em inglês, e tinha inclusive uma foto que veio por e-mail para ilustrar a entrevista.
Outro ponto que a equipe marcou foi durante a guerra do Afeganistão. Enquanto os aliados fechavam o cerco, localizamos e entrevistamos por telefone brasileiros que estavam lá, para saber como estava o conflito que "pegava fogo". E eu entrevistei essa brasileira cujo nome não me lembro, mas cuja história nunca vou me esquecer.
Ela tinha se apaixonado por um paquistanês que conheceu numa viagem pelo exterior, casou-se com ele, e mudou para o Afeganistão. Tiveram dois filhos. Eu ligava para ela constantemente e consegui relatos impressionantes de como estava a situação de quem morava em Kabul durante o cerco das tropas aliadas. Os militares reviravam as casas deixando uma tremenda bagunça, enquanto a população dava abrigo aos vizinhos e saía às ruas para comprar água e comida.
Nos dias que se seguiram, ela reuniu de forças para finalmente abandonar o país. O marido já tinha ido para o Paquistão e não dava mais notícias. Juntou algum dinheiro que tinha e, com os dois filhos à tira-colo, começou a fuga do lado de lá. Eu estava com o coração na mão do lado de cá, imaginando a aventura em que aquela mulher estava metida... Nos contatos telefônicos que se seguiram eu trasmiti pessoalmente recados que ela passava aos parentes no Brasil.
Por fim, com a graça de Alá, ela conseguiu escapar e chegar até Niterói no Rio de Janeiro, onde tinha mãe e irmãos. Junto da família, aqui no Brasil, ela me ligou para agradecer: disse que meu interesse pela situação e nosso constante contato ajudou muito a renovar as esperanças de chegar até aqui. Me contou que falar em bom português com alguém que ouvia os relatos espantava o medo e acendia a esperança. Dizia que tinha conseguido tudo graças ao meu apoio... queria que eu fosse até lá para conhecer a família. Mas eu não fui...
Claro que houve boa dose de exagero por parte dela em ser tão grata... mas de qualquer forma, para mim foi possível ver de perto a importância de um trabalho bem feito. E eu nada mais fiz do que ser profissional, mas antes de tudo, um ser humano. A gratidão dela foi uma das melhores remunerações que já tive em minha carreira. Melhor do que qualquer salário !!!
Escrito por Jemm às 22h16
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Conto: Pão, pão, carne, carne
Uma comunidade interessante do Orkut é "Aumente um ponto". Um dos jogos propostos é criar uma história à partir de uma letra de música. Gostei muito da idéia e resolvei participar. O resultado, divido também com vocês.
Letra: "Ficou difícil, tudo aquilo nada disso sobrou meu velho vicio de sonhar pular de precipício em precipício ossos do oficio pagar pra ver o invisível e depois enxergar que é uma pena, mas você não vale a pena não vale uma fisgada dessa dor não cabe como rima de um poema, de tão pequeno mas vai e vem e me envenena e me condena ao rancor."
Pão, pão, carne, carne
Paulo e Mariana se conheceram na empresa em que travalhavam. Ele, um proeminente advogado do setor jurídico. Ela, uma assessora de imprensa. Quando se olharam a primeira vez, ele pensou Ter visto os olhos mais doces do mundo. Apaixonou-se. Os amigos bem que avisavam: "Cuidado, onde se ganha o pão não se come a carne". Mas ele, que adorava sanduíche de carne louca, foi em frente. Conseguiu conquistá-la, e começaram a namorar.
Quatro meses depois ela decidia morar junto com ele. Paulo dizia aos amigos que podia quase enxergar o amor que sentia por ela. Dizia-se apaixonado. E os amigos mais uma vez: Vê lá, paixão é coisa passageira. Você não acha que está pulando num precipício? Será que tem água lá embaixo? Mas, como nosso protagonista não era muito de ouvir conselhos, decidiu ir em frente. Gastou os tubos para montar um apartamento lindo, com eletrodomésticos de último tipo, armários importados, cama especial...
Um dia, Paulo estava navegando na internet quando encontrou um site de fotos eróticas. Nas imagens, mulheres faziam todo tipo de estripulias sexuais. Sexo grupal, lesbianismo, sadomasoquismo e até sexo com animais. Paulo via a tudo entre surpreso e curioso quando deu de cara com uma sessão de fotos que lhe chamou a atenção: Nelas, viu uma mulher muito parecida com Mariana, fazendo sexo com três brutamontes. Na seqüência, viu mais uma vez a mulher, desta vez fazendo sexo com outra mulher. Ele não podia acreditar. Quando encontrou com ela em casa, decidiu tomar satisfações. Contou tudo o que tinha visto, e ela pôs-se a chorar como uma criança. Dizia que não era ela, que ele estava louco ou paranóico, que era um tarado que passava as tardes vendo sacanagem na internet ao invés de trabalhar. E foi isso que contou ao chefe [b]DELE[/b] quando explicou porque decidiram se separar. Paulo acabou perdendo o emprego e o respeito dos amigos e colegas de trabalho, que vinham conversar com ele: "Mas você, hein? Faça-me o favor... tamanho mulherão daquele perdendo tempo com sacanagem na internet?"
E Mariana voltou à sua vida de solteira. Expediente das oito da manhã às seis da tarde, duas horas de academia de ginástica à noite e... sessões de fotos pornográficas nos fins de semana.
Escrito por Jemm às 15h06
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Repórter Aéreo 2
Memórias de um Repórter 2
Da paixão de Voar
Prontos para decolar...
A profissão de repórter tem seus momentos atrozes, mas permitiu que eu realizasse alguns sonhos de infância. Um deles: voar de helicóptero! Fui repórter aéreo de uma das rádios de jornalismo com maior audiência na capital paulista durante um ano e meio.
A experiência era fascinante. Apesar de, com o tempo, ter perdido o friozinho na barriga das primeiras viagens, a curtição de cada decolagem e o alegre pensamento "lá vamos nós" sempre estiveram presentes. E eu me divertia ouvindo as histórias dos pilotos, conversando e descobrindo algumas coisas. Exemplo:
Um helicópter não despenca lá do alto em caso de pane por falta de gasolina, por exemplo. Desde as primeiras aulas práticas, os pilotos são treinados em uma manobra chamada "Auto-Rotação", que nada mais é do que posicionar as pás para que girem com a força do vento. Isso cria uma espécie de "pára-quedas" que ajuda a descer a máquina com certa tranqüilidade. Mas claro que não há muito controle de direção neste procedimento e não dá para ganhar altura, por isso preciso sempre estar de olho em algum descampado onde seja possível pousar. Por isso, os pilotos não gostam muito de sobrevoar o "paliteiro" do Minhocão, por exemplo... uma região com muitos prédios e nenhuma área livre para casos de emergência.
Nos primeiros vôos eu administrava o nervosismo olhando para os helipontos que se vê no topo dos prédios lá do alto. São Paulo tem um sem número deles. Achava que em caso de emergência, lugar para pousar era o que não faltava. Até que um dia um piloto me contou que em caso de emergência a última coisa que ele iria fazer seria tentar "acertar o alvo" de um heliponto no topo de um arranha-céu em meio ao vento.
Também crescemos achando que helicóptero pode pousar em praticamente qualquer lugar. Na teoria é verdade. Na prática, os pilotos não pousam no meio de um campo de futebol, por exemplo, se bem entenderem - cada movimento desses precisa ser notificado à rede de tráfego aéreo da cidade, e seria necessário justificar muito bem justificado o tal pouso. O que não quer dizer que não ocorra de vez em quando.
Sabendo de minha paixão por voar, vivi boas aventuras com alguns dos pilotos com quem voei por mais tempo. Dávamos razantes sobre a água da represa de Guarapiranga, pousávamos em ilhotas perdidas no meio do Rio Tietê e cruzávamos o trecho de serra das rodovias Anchieta/Imigrantes, uma sensação, aliás, quase indescritível.
Nossa altura média de vôo era de 150 metros do solo dentro da cidade. Mas na serra, de onde víamos o mar à distância, era possível cruzar a "interligação" e andando mais um pouco nossa altura era gigantesca... era possível ver toda a extensão das três estradas (na época não havia o trecho novo da Imigrantes) e o helicóptero pequenino lembrava mais ainda uma pequena mosquinha voando alto, bem alto...
Foi na volta de uma dessas aventuras que eu percebi qual a paixão que faz uma pessoa decidir pela profissão de piloto. Depois de tanto voar, eu sabia que era arriscado se enfiar no meio das nuvens. Helicópteros de pistão como o Robinson não têm aparelhos para fazer "vôo cego" (por instrumentos), e não têm horizonte artificial. Sem ele, o perigo é perder a relação com o solo e inclinar demais o aparelho, perdendo a sustentação e jogando a máquina direto para o chão. Mas naquele dia meu amigo estava apaixonado pelo céu. E como Ícaro, queria ir além.
Sobre a rodovia Anchieta à caminho do bairro do Sacomã, início da estrada, o piloto começou a olhar fixamente para um ponto no alto, sem conseguir piscar. Eu olhei para ele, que tinha os olhos vidrados: "podemos entrar ali..."
Em instantes, ele conduziu o pequeno aparelho até uma "janela" no meio das nuvens. Pouco depois, estávamos voando acima da altura das nuvens... e em instantes estávamos rodeados delas. O piloto parecia estar em conferência com Deus, tamanha a alegria. A visão era bonita mesmo... mas eu tremia de medo olhando para a "janela" entre as nuvens, com medo que fechasse. Se acontecesse, seria arriscado demais voltar a descer.
Sorte que ele acordou do transe à tempo.
Escrito por Jemm às 19h45
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Repórter Aéreo 1
Memórias de um Repórter 1
O Fusca Voador

Eu fazia a cobertura de trânsito por helicóptero. O modelo, um Robinson R22, é bem pequeno, cabem só duas pessoas. É considerado por muitos o "Fusca dos Helicópteros". Quando uma piloto me disse isso uma vez, pensei que ela se referia apenas à popularidade do aparelho. Por ser barato e de fácil operação, pode ser visto em praticamente todos os angares do Campo de Marte. Também é o modelo utilizado pela maioria das rádios.
A primeira vez que voei num desses foi numa madrugada de tempestade. A cidade inteira estava alagada e um helicóptero sozinho não dava conta de cobrir todos os pontos de alagamento. Um colega pediu então que outro repórter decolasse para fazer uma dobradinha. Eu fui o escolhido.
Naquela chuva toda o pequeno aparelho saltitava. Parecia mais um daqueles touros bravos que a gente vê nos rodeios. E lá fomos nós. Para contornar um pouco o medo de estar sobrevoando naquelas condições, eu dizia a mim mesmo que o piloto era tão humando quanto eu e, se achava que dava para ir, então não teria problema. A cobertura correu sem sobressaltos... mas eu ainda não conhecia a cidade tão bem vista do alto e a ajuda do amigo foi imprescindível.
Tempos mais tarde eu me tornei o "repórter aéreo" da tarde e com o tempo perdi o impacto, aquele aquele medo inicial dos primeiros vôos. Até que um belo dia tivemos um problema logo na decolagem durante um fim de semana e não pudemos voar. Assim que o aparelho "se desgrudou" do chão para ganhar altitude, uma luzinha amarela chamada "Clutch" se acendeu com buzina e fomos direto para o chão. Sem sustos, estávamos a pouca altitude, tudo muito tranqüilo. Mas a cobertura foi por terra naquele sábado.

O painel de um Robinson R22
Na segunda feira eu cheguei mais cedo ao angar e surpresa: descobri porque a piloto tinha me dito que aquele era o Fusca dos helicópteros. Não só por se "popular", mas também porque a manutenção era "fácil". Cheguei a tempo de ver o "Robinho" com as entranhas abertas e um monte de peças para fora, tal um Fusca que o dono conserta em casa mesmo, durante o fim de semana. Um mecânico enfiado lá dentro mexia aqui e ali... de repente, fechou a portinhola que dava acesso ao motor, deixando inúmeras peças para fora, limpou as mãos de graxa numa estopa, olhou para mim e disse: "está pronto, pode voar"...
Juro por Deus que naquele dia eu tremi mais do que na primeira vez em que voei. A sensação de ver o bichinho aberto daquele jeito lembrava da fragilidade do equipamento e acendia a dúvida: e se não for um bom mecânico???
Ainda bem que era! Mas melhor ainda quando a rádio trocou a empresa que prestava o serviço. A outra fazia melhor manutenção.
Escrito por Jemm às 19h43
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Será?
Dizem que a Terra só pode ser o inferno de algum outro planeta...
começo a achar que é verdade.
"O inferno são os outros"...
Escrito por Jemm às 19h40
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Outdoor
por José Eduardo Marcondes
O rapaz passava todos os dias em frente àquele outdoor. Não que estivesse interessado na cerveja do anúncio, que ele aliás nunca tinha experimentado. Interessado mesmo ele estava na loirinha. E que loirinha! Linda. E não fazia aquele estilo “mulherão”. Era apenas um rostinho bonito, no meio do anúncio - mas que sorriso! - pensava ele. Franco, aberto, meigo, cativante. Estava apaixonado. Á caminho do trabalho passava todos os dias pelo outdoor e, enquanto o sinal não abria, olhava, suspirava e sonhava... E desfrutava cada momento de sua paixão por sua musa. Quando finalmente a luz verde o autorizava a seguir, titubeava alguns instantes até engatar a marcha - tempo suficiente para que os carros de trás buzinassem para que o sonhador despertasse. Mas ele, recusando-se a abandonar o sonho, respondia com alguns suspiros, e finalmente acelerava, levando um gostinho de “quero mais”. O tempo foi passando até que um dia, para desilusão de nosso protagonista, o cartaz foi substituído por um outro anúncio qualquer, que ele fez questão até de nem saber de que se tratava, só por birra. E a partir daquele dia, passou a chegar ao trabalho um tanto mais desolado. Até que resolveu conversar com um amigo, um publicitário de uma famosa agência de propaganda, sobre sua paixão. Como era um happy-hour, e ele já estava sofrendo os efeitos dionisíacos do álcool, confessou tudo: “Rapaz, aquela sim é a verdadeira paixão. Veja você! Que sorriso, que carinha linda. Seus colegas estão de parabéns. Acertaram em cheio. Aquela porra da cerveja mesmo, eu nunca tomei. Mas que mulher foram me arrumar, meu Deus. Que coisa linda!” E assim prosseguiu contando ao amigo todos os seus sonhos mais encantados de amor eterno pela modelo do cartaz. Só que, por uma daquelas coincidências inexplicáveis da vida (que aliás, normalmente, convém nem tentar explicar mesmo), numa virada do destino, o amigo publicitário conhecia o pessoal daquela agência que criara o cartaz. E, sem dizer nada, preparou-lhe uma surpresa. Alguns dias depois, o rapaz recebia num envelope algumas fotos de sua amada. E eram fotos daquelas amadoras, com a menina em poses descontraídas, naturais, sem aquela maquiagem ou produção toda. O jovem apaixonado entrou em êxtase, e espalhou as fotos pela parede do quarto. Logo, sabia de cor cada milímetro das imagens e, ao fechar os olhos, já era capaz até de enxergar todos os detalhes delas minuciosamente. Eis que noutro dia vem o amigo mais uma vez trazendo-lhe uma nova surpresa. Conseguira conversar com a modelo da foto e contar a ela, com detalhes que só mesmo um publicitário saberia ressaltar, que sabia de um cara apaixonado por ela, “um cara muito bacana, ótimo sujeito”. Como a moça deixou transparecer um leve interesse pelo seu admirador, o publicitário tratou de pedir-lhe o número de telefone. E era este número que vinha cair agora como um presente às mãos do rapaz apaixonado. Ele, assim que chegou em casa, correu ao telefone e passou quarenta minutos com o aparelho na mão, pensando no que iria dizer ao ligar para ela (era tímido mesmo, o coitado). Por fim, conseguiu teclar os números. A moça atendeu, e ele logo estranhou a voz, que não era tão doce quanto ele imaginara. Identificou-se e começou a tentar engrenar um papo. A conversa não parecia correr muito solta, mas ele afinal convidou-a para sair. Ela aceitou, só que escolher o lugar foi algo realmente difícil, diria até decepcionante. Ela não gostava de bar com MPB, não curtia vinho e só gostava de lugar agitado. A moça sugeriu dançar, mas isso era algo que ele não suportava. Sair para jantar, tampouco, foi impraticável. Não tinham os mesmos gostos. Cinema, então, quase deu discussão - ela só sugeria títulos hollyw-odianos, e ele só gostava de cinema “cabeça”, na opinião dela. Por fim, não conseguiram combinar nenhum programa por absoluta incompatibilidade de gênios. Despediram-se e ele desligou o telefone, amassou o número que tinha às mãos e jogou-o no lixo. Olhou para as fotos dela na parede e deu um longo suspiro, com saudade do tempo em que sua musa era apenas uma imagem no outdoor. E ele podia amá-la em paz, sem que a realidade interrompesse os sonhos.
Escrito por Jemm às 19h39
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